Não sei como nem por que comecei a assistir Chegadas e Partidas, da GNT. Não tenho TV a cabo e não assisto TV. Alguém deve ter comentado e tudo o que sei é que eu passei a acompanhar pelo Youtube.
A cada vez que eu passo 20 minutos na frente desse computador ouvindo as histórias garimpadas por Astrid Fontenelle no aeroporto de Guarulhos, lá se vão 20 minutos de desidratação. Eu não choro. Eu derreto.
Eu me lembro como se fosse hoje do dia que passei nesse mesmíssimo aeroporto, numa já longíqua data: 10 de setembro de 2006. Lembro que para mim foi o dia mais intenso da minha vida. Era a realização do meu sonho de estudar fora do País, de viver sozinha fora de casa, de desbravar lugares, conhecer uma cultura diferente. Ao mesmo tempo, era o dia mais triste da minha vida, o dia em que eu deixava a mãe, o namorado e uma vida para trás. Não me lembro de ter chorado tanto quanto chorei neste dia.

Fico imaginando o que aquela Marla, de 20 anos, e que havia acabado de deixar para trás o mais intenso amor de sua vida, teria dito para uma possível Astrid em busca de uma história para preencher um programa de pouco mais de 20 minutos. Não há resposta.
Acho que só quem já passou por essa dor da despedida em um aeroporto é capaz de assistir a Chegadas e Partidas com a devida sensibilidade. Como eu disse, a cada vez que vejo, não choro, derreto. É como se eu conseguisse viver a dor de cada uma daquelas pessoas. Mas é uma dor boa, uma dor que só existe porque alguém gosta de alguém. De verdade.