Dias atrás eu me peguei pensando no dia em que cheguei a Londres e me dei conta de que duas das coisas que me aconteceram nesse episódio deveriam ser postadas aqui: metrô e turcos.
Numa já quase esquecida data em maio do ano passado voei até o aeroporto de Brasília a fim de pegar a conexão a Lisboa que me levaria até Londres. Na capital federal chamaram pro embarque, a galera entrou, sentou e quando o avião já estava de portas fechadas, o piloto avisou a todos para descerem com suas bagagens de mão. Que alegria!!! #sqn Nos corredores, muito burburinho. Uns diziam que o avião estava quebrado, outros que uma passageira que havia sido furtada no aeroporto exigia que os voos não decolassem. Adoro essas bobagens.
Fato é que tinha alguma coisa errada no avião. Já contei que tenho medo de voar? Então. Essa é uma boa hora. Comecei a ter aqueles feelings de "é minha chance de não morrer nesse voo"; "esse avião quebrado vai cair no Atlântico"; "vou exigir me colocarem em outro voo" etc. O problema é que eu fiquei com esses feelings, mas não tive reação.
Quando a TAM (ah, é. Pra piorar o medo, era TAM) informou do embarque imediato, duas horas depois de nos tirarem da aeronave, eu não tive tempo de pensar em alguma coisa e me enfiei no avião. E não morri, como vocês podem perceber.
Obviamente perdi minha conexão em Lisboa, mas fui colocada num voo 1,5 hora depois que eu havia chegado, então nem foi o fim do mundo. Já em Heathrow tive a sorte de simplesmente não ter fila na imigração e a moça me fez uma meia dúzia de perguntas e me liberou. As perguntas foram o que eu estava fazendo em Londres, quanto tempo ficaria, o que eu fazia no Brasil, por que eu não quis estudar inglês nos EUA (?????) e desde quando dá pra ir de Londres a Amsterdam de ônibus.
Juro. Ela teve que perguntar pro atendente do box ao lado se isso era realmente possível (porque meu ticket de volta saía de Paris e ela ficou ligeiramente desconfiada). Alguém
avisa a moça
que já
existe balsa?
Obrigada.
FASE 1: O metrô
Já no desembarque você sai praticamente junto ao metrô. Comprei um chip de celular, que não funcionou (só 24 horas depois, quando eu já não precisava dele), e também um Oyster card. O pessoal do metrô foi extremamente solícito e me explicou como chegar a Southgate numa boa. Na verdade, APARENTEMENTE, não tem mistério. Você se enfia na Piccadilly Line, sai de uma ponta e chega à outra cerca de 1,5 hora depois.
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Aí a danada da plataforma de Arnos Grove |
Acontece que 1 hora e 25 minutos depois o trem parou em Arnos Grove, uma estação antes de Southgate. O trem parou, abriu as portas e eu fiquei lá dentro, obviamente, porque oeeeee não era minha estação ainda. Um moço muito solícito ao me ver lá, explicou que aquela era a última parada do trem e que eu tinha que descer. Mas mooooooooooço, eu tenho que descer em Southgate!!! E ele pegou minha mala e colocou no trem que seguia até lá. Coração
com as mãos
pra Londres #1
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Northern Line |
Então deixa eu explicar uma coisa pra vocês. No metrô de Londres não basta pegar o trem no rumo certo (Eastbound, Westbound, Northbound, Southbound), é preciso se ligar no nome que tá escrito na frente do trem se seu destino for mais comprido (como era o meu). Na Piccadilly Line, por exemplo, o trem pode ir até Arnos Grove ou até Cockfosters (insira sua piadinha aqui) e isso tá escrito no letreiro do trem AND nos painéis luminosos que avisam da chegada deles na estação. Na Northern Line, os trens se ramificam em Camden Town e podem ir pra Edgware ou High Barnet. Assim falando parece confuso, mas não é. Basta ter um mapinha do tube no bolso e tudo estará resolvido. Falar em mapinha,
clica aqui pra acessar o mapa do tube e já ir se familiarizando com o danadinho.
Quando eu finalmente desembarquei em Southgate, precisaria ligar pra minha hostess ir me buscar, pois a casa ficava meio longe da estação. Logo em frente usei o telefone público pra ligar pra casa e só caía na secretária eletrônica. Tentei ligar várias vezes pro celular dela mas, por alguma razão que até hoje eu não sei qual é, não conseguia completar a ligação. Sem um táxi sequer por perto, fiz o que toda pessoa em sã consciência depois de passar 30 horas viajando faria: pedi ajuda (rááá!! Achou que eu fosse sentar e chorar, né?). Mas gente, era domingo à tarde, tinha ninguém na rua. Por fim uma mocinha apareceu e eu, com a melhor cara de gato de bota em apuros que eu podia fazer, pedi ajuda. "Moça, você me
ensina a ligar
pra um celular? Eu tô fazendo alguma coisa errada". O que ela fez? Muito bem, ela ligou do celular dela e me passou o telefone. Coração
com as mãos
pra Londres #2
A danadinha da hostess me disse que tinha ido a uma festa de aniversário, mas que me pegaria uma hora depois e que era pra eu esperá-la num café em frente à estação. Agradeci a moça pela gentileza de me emprestar o telefone e lá fui eu atravessar uma rua londrina pela primeira vez na vida. No chão está
escrito LOOK LEFT. E
depois LOOK RIGHT. Sabe, não tem segredo. Mas tenho certeza que nunca levei tanto tempo pra cruzar uma rua na vida, tamanho era meu medo de dar rata e ser atropelada.
FASE 2: O turco
Ao me ver atravessando a rua com a mala, o turco que estava dentro do café abriu a porta pra mim. Perguntou se eu precisava de ajuda e ao ouvir que era minha primeira vez em Londres, se ofereceu pra pagar minha primeira xícara de chá na terra da Rainha (Terra da Rainha: pq ser piegas é uma necessidade de vida).Coração com as mãos pra Londres #3
Papo vai, papo vem e 2 xícaras de chá depois, a moça do café pediu um milhão de desculpas e nos avisou que ela fecharia o lugar às 5 da tarde e que nós teríamos que sair.
Pareceu rude? Certeza que ela achou que sim, pois me ofereceu 2 muffins pra viagem.
Assim, for free. Coração
com as mãos
pra Londres #4
Daí o turco falou que pra não ficar na rua, eu deveria ir com ele pra loja de Fish and Chips que ele tem, logo ali na frente. E era do
lado mesmo. Só que foi lá que o negócio foi ficando tenso. Depois de avisar a minha hostess sobre meu novo paradeiro, o tal do turco começou a me prometer mundos e fundos. Falei que meu celular não tava funcionando, ele se ofereceu a me emprestar um iPhone que ele não estava usando. Falei que estava pagando X libras pra ficar na casa da hostess, ele disse que tinha 2 apartamentos alugados pra estudantes e que eu poderia usar um quarto pra ficar.
Detalhe: for free. Disse ainda que se eu estivesse com fome, era só passar na loja dele que ele fazia um fish and chips pra mim no capricho. For free.
Antes que ele me oferecesse qualquer outra coisa a mais, minha hostess finalmente chegou. Quando a esmola é demais, o santo de vocês também desconfia? Foi um alívio sair dali e, mesmo tendo nome, endereço, número e CPF da pessoa, eu nunca mais apareci na frente do turco. Depois conheci outro turco na escola de inglês e ele me falou que eles têm essa pequena obsessão por casamento. Daí vou morrer sem saber se o turco que eu conheci no café era um santo ou um obcecado. Moral
da história (se você é
mulher): beware of turkish men.
E você? Passou um apuro quando chegou em Londres? Me
conta aí nos comentários!