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Royal Crescent |
Bath é uma cidade encantadora e cheia de ruelas maravilhosas que sempre te fazem pensar
why the hell você demorou tanto pra visitá-la. Mas sei lá, a Inglaterra é cheia de lugares como esse.
Tipo Cambridge. Eu já tinha ido a Bath ano passado pra um bate-e-volta, mas nesse ano minha visita tinha um motivo todo especial: o Festival da Jane Austen. Pra quem não sabe, AMO/SOU essa escritora foda que já criticava o sistema lá no fim dos anos 1790, sendo feminista à maneira dela e tal. Top. Tem até um
post só pra ela nesse blog, pois: acho digno.
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Pulteney Bridge |
Pois bem, o tal festival dura uma imensidão de dias (2 semanas, pra ser mais exata) e tem diversas atividades. Muitas mesmo. Algumas que me lembro agora: café da manhã no parque, workshop de dança, palestras, leitura de livro, curso de harpa (!!!),
promenade a caráter e baile de máscaras. O foda é que cada uma dessas coisas é paga, então não sai muito barato brincar de ser a Liz Bennett ali. Uma alemã que estava no meu quarto do hostel, por exemplo, economizou grana por um ano inteiro pra poder participar de tudo, inclusive costurou suas próprias roupitchas pra ser linda em Bath. Suspiros.
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A holandesa, à esquerda, e a alemã, no meio, costuraram suas roupas pro festival |
Como eu já sabia que a cidade estaria lotada durante o festival, reservei minha cama uns 4 meses antes, o que foi uma decisão acertada. Fiz o mesmo com as passagens. Então vamos lá ao custo: £ 11 pelas passagens e £42 pra dois dias no hostel. Achei caro, porém era fim de semana especial, então OK. O hostel que escolhi foi o
St. Christopher's Inn, que é infinitamente melhor do que o de Londres. A começar pelo staff, que é incrível, realmente prontos pra te ajudar a qualquer hora do dia ou da noite. O quarto estava limpo, as camas impecáveis e o café da manhã, apesar de simples, é bem gostoso.
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Ruela perdida em Bath |
A viagem de ônibus normalmente leva 2 horas e meia, mas gastei uma hora a mais só de congestionamento. Todo mundo indo pra Bath, uma cidade cujas ruas foram feitas pra passar carruagens. Imagine o caos. Depois que cheguei fui dar um rolé pela cidade e fui parar finalmente no Royal Crescent, um conjunto de casas georgianas que formam um C em frente a um lindo parque verde. O número 1 é uma casa museu e você pode ver como é a estrutura e o funcionamento de uma construção antiga assim, além de conhecer um pouco mais da história inglesa. O ingresso custa £8,50 e o passeio leva cerca de duas horas. Não, não pode tirar foto lá dentro (nunca entenderei).
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Jardim do Royal Crescent |
Na volta pro centro, passei pelo Jane Austen Centre, que é parada obrigatória para os amantes da escritora. Como eu já havia feito o passeio antes, só dei um rolé na loja de souvenir e peguei um folder com a programação do festival. Quando vi lá um workshop de dança que começava dali 10 minutos, saí correndo. Paguei £10 e me enfiei no salão. No começo o pessoal fica meio acanhado, ninguém faz ideia de como dançar, tudo é meio diferente. Nas primeiras danças fiquei só tirando foto e fazendo vídeos, mas depois não me aguentei e fui lá aprender a dançar e descobri que eu arraso nos passinhos da aristocracia. Sou praticamente uma Lizzy Bennett.
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Galera vestida a caráter pro workshop de dança |
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Dançarinas do workshop arrasando no figurino |
À noite comprei umas bobagens no supermercado pra cozinhar no hostel mesmo - leia-se: comida congelada pra enfiar no micro-ondas. E o lugar de comer no hostel é numa salinha que chama
Chill Out Room. Galera se esparrama lá, tem uma geladeira, uma TV grandona, uns jogos de tabuleiro e tal. Quando cheguei já tava cheio, mas ainda assim encontrei um cantinho pra comer numa boa, observando a galera e julgando, pois essa é uma necessidade de vida, amigos. Olha, um povo já com a cara barbada brincando de
drinking games. Mas vai me dando uma vergonha alheia tão grande que nem sei relatar. Acho que estou ficando velha demais pra esse negócio de hostel. Pode fazer barulho, acender a luz na minha cara, mas né? Limites. Muita preguiça.
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Pessoal se preparando pro Promenade no Parade Gardens |
O domingo amanheceu meio morto e a alemã me convidou pra ir pra Bristol, também conhecida como a primeira cidade da Inglaterra que pensei em ir pra estudar inglês. Tudo sobre esse dia eu conto em outro post, porque as fotos valem o seu link. hehehe
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Lateral da Bath Abbey |
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Todo mundo se anima pra tirar foto com essa galera vestidinha |
Na segunda-feira, meu último dia de Bath, resolvi fazer o que curto mais: não ter planos. Sentei em frente à Bath Abbey, experimentei um tradicional
cornish pasty e odiei. Desculpaê, é bem ruim. Depois tomei um sorvete delícia e parei numa casinha de
fudge pra descobrir o que é esse doce, cujo nome uso pra disfarçar o
FUCK que falo perto de crianças. Pois bem, entrei na loja, encostei num rapazinho, pedi pra ele me explicar que diabos era o tal do
fudge. Ele faz lá toda uma explicação do tal doce, que vai chocolate e blá blá blá e no fim me oferece um pedaço pra experimentar. Hummmm mordo a metade.
"Wow, it's quite sweet". Ele balança a cabeça. Quando termino de mastigar, peço pra jogar a outra metade fora, pois
"OMG, it's TOO sweet". Blé. Ele ri. Capaz que nunca viu uma mulher recusar um doce muito doce na vida.
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Bath Abbey vista de fora |
No dia em que cheguei a Bath, vi um cara loiro e cabeludo tocando um violão clássico na rua. A música era maravilhosa, suave, melódica e tal. Só que ele me perseguia. Aonde quer que eu estava, lá estava o cara loiro, de pé no chão, com uma havaiana recostada num canto, tocando a MESMA música. Doze horas depois, vou pra outro lugar dar uma sentadinha pra descansar e lá está o diabo da música novamente. Mas como é que pode o cara só ter uma única música no repertório, gente?
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Bath Abbey por dentro |
A volta pra Londres foi tranquila e já estou de olho na newsletter do Jane Austen Centre pra saber tudo sobre o festival do ano que vem. E o plus pra quem teve paciência de ler até o fim é o vídeo que contém cenas chocantes minhas dançando as coreografias de um baile regencial.